segunda-feira, 17 de maio de 2010

Deficientes físicos enfrentam via-crucis em Belém


Feche os olhos e saia na rua, caminhe, pegue ônibus, atravesse as ruas, passe por cima de buracos e, tudo isso, sem a ajuda de ninguém. A maioria das pessoas deve pensar que é impossível fazer tudo isso no escuro, mas tem muita gente que consegue fazer tudo isso com mais um obstáculo: sem o auxílio da visão. É o caso do administrador e sociólogo Ermerindo Fonseca. Por causa de um problema sério de miopia, ele ficou sem enxergar ainda criança, aos sete anos de idade.

Apesar de ter conseguido estudar, constituir família, ter filhos e um bom emprego, aos 45 anos Ermerindo ainda lamenta o fato de Belém não ter condições de acessibilidade para as pessoas portadoras de deficiência. Todos os dias, o administrador sai cedo de casa, na Transcoqueiro, e vai de ônibus até o seu trabalho, localizado na travessa Apinagés. Ele destaca que a cidade possui sérios problemas estruturais, que afetam a locomoção do indivíduo com deficiência, como calçadas desniveladas, bueiros abertos e telefones públicos instalados no meio da calçada. “Há alguns dias em caí porque colocaram um ferro para estacionamento de bicicletas na calçada. Não tive como desviar”, afirmou.

E se os degraus não são o maior obstáculo para os deficientes visuais, são para os deficientes físicos. Atleta de basquete em cadeira de rodas, Bayron Nogueira, de 40 anos, afirma que depende da solidariedade das pessoas para entrar e sair dos ônibus. “A maioria dos veículos ainda não estão adaptados e, por isso, tenho que pedir para as pessoas que estão na parada me carregarem”.

O portador de deficiência física ainda reclama que alguns motoristas de ônibus adaptados não param no ponto ou, quando param, dizem que o elevador está quebrado. “Eles falam isso só para não perderem tempo. Já são poucos os ônibus com esse sistema e alguns ainda mentem para não nos ajudar”.


SUGESTÕES DE MELHORIAS NA CIDADE

- Nivelamento entre as paradas de ônibus e os degraus dos coletivos.

- Construção de passarelas com rampas, o que facilitaria o ato de atravessar as ruas.

- Nivelamento das calçadas.

- Limpeza do passeio público (lixos, entulhos, grades e canteiros).

- Instalação de elevadores para cadeirantes nos ônibus.

- Adaptação dos prédios públicos e vias da capital.

Fonte: deficiente online

domingo, 16 de maio de 2010

Legislação em áudio.




NomePlayTamanhoDuração
Código Penal
1.1 MB1:10 min
Código de Processo Civil

0.5 MB0:32 min
Código Civil

1 MB1:03 min
Código Eleitoral
2.7 MB2:56 min
Constituição Federal

1.3 MB0:43 min
Consolidação das Leis do Trabalho

2.1 MB1:08 min
Código de Processo Penal

3.5 MB1:56 min
Súmulas STF

0.3 MB0:18 min

Secult disponibiliza carteira de gratuidade para idosos e deficientes


O documento garante entrada gratuita em eventos e espaços culturais. Saiba como eceber a carteira.

A Lei de número 6.739 garante que todo brasileiro com idade a partir de 60 anos tenha seu acesso gratuito em equipamentos de entretenimento público, como cinemas, teatros, museus, galerias de arte, casas de espetáculos, ginásios poli-esportivos e estádios de futebol. Em 2005, a lei teve uma modificação e passou a valer também para aposentados e portadores de necessidades especiais.

No Pará, a Secretaria de Estado e Cultura disponibiliza a Carteirinha da Secult, que garante entrada livre de idosos e portadores de necessidades especiais em todos os espaços do Governo do Estado e demais locais públicos. Segundo dados da gerência de material da Secult, de 2003 a 2009, o número das emissões de carteiras de gratuidade chegou a cerca de 20 mil documentos.

De acordo com o Secretário de Cultura Edílson Moura, as carteirinhas têm um papel social muito importante na vida dos cidadãos. “As carteirinhas não são nenhum bônus que o Governo do Estado está dando. É um direito adquirido extremamente importante para a inclusão social dessas pessoas, pois contribui para que elas interajam e aproveitem os eventos culturais em espaços públicos”, afirmou. “Nossa intenção é ampliar esse número, principalmente para os demais municípios do Pará”, acrescentou.

Cinéfilo há mais de trinta anos, o professor aposentado Ubiracy Coelho revela que depois que tirou a Carteirinha da Secult é assíduo freqüentador das salas de cinema de Belém. “Antigamente, eu pegava um pouco do que sobrava do meu salário e ia ao cinema com minha esposa. Hoje, como eu não pago para entrar, passo uma tarde inteira vendo filmes”, diverte-se Ubiracy.

Como tirar a carteirinha

As carteiras podem ser obtidas das 14h às 16h no Almoxarifado da Secult, que fica na Avenida Generalíssimo Deodoro, 657 (entre Domingos Marreiros e Boaventura da Silva). Apenas cinqüenta senhas são distribuídas por tarde. Se a pessoa for maior de 60 anos, deve apresentar original e cópia da carteira de identidade, cópia do comprovante de residência e duas fotos 3 X 4 iguais e recentes.

Os aposentados devem apresentar original e cópia do comprovante de aposentadoria (carta de concessão do INSS ou portaria de aposentadoria, acompanhada do contracheque), carteira de identidade (original e cópia), cópia do comprovante de residência e duas fotos 3 X 4.

Para portadores de necessidades especiais, os documentos necessários são: laudo médico ou cópia autenticada, emitido nos últimos doze meses, atestando a espécie e o grau ou nível de sua necessidade, com referência ao código correspondente na Classificação Internacional de Doenças (CID), e se a doença é considerada irreversível. Carteira de identidade original e cópia, xerox do comprovante de residência e duas fotos 3 X 4.

Vale lembrar ainda que a carteira não dá gratuidade em transportes coletivos urbanos ou intermunicipais. Informações no telefone: 4009-8718.


Fonte: Assessoria de Comunicação Secult

sábado, 15 de maio de 2010








Alfabeto em Libras









Trabalho condiciona bolsa de estudo a contratação de deficientes.



A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, na quarta-feira (28), a possibilidade de as empresas concederem bolsas de estudo a portadores de deficiência, desde que se comprometam a contratar esses profissionais por um período de pelo menos um ano. O valor mensal das bolsas deverá ser igual ou superior a um salário mínimo.

A medida altera a Lei de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), que obriga as corporações com 100 ou mais empregados a preencher de 2% a 5% dos seus cargos, progressivamente, com pessoas com deficiência.

O texto aprovado foi o substitutivo do relator, deputado Edgar Moury (PMDB-PE), ao Projeto de Lei 274/07, do deputado Cláudio Diaz (PSDB-RS).
No texto original, as corporações que oferecessem as bolsas de estudos não tinham a obrigação de contratar os profissionais matriculados nos cursos.

Pré-requisitos
Já o substitutivo, além da necessidade de a empresa contratar o bolsista por período não inferior a um ano, após a conclusão do curso, estabelece outras condições para a oferta das bolsas de estudo:

- o número de bolsas concedidas não pode exceder a 50% das vagas de trabalho a serem preenchidas com deficientes; e

- os cursos oferecidos deverão estar relacionados aos cargos que serão ocupados.

"O projeto anterior abria espaço para os empregadores preencherem a cota destinada a deficientes unicamente por meio da concessão de bolsas, deixando de efetuar contratações efetivas", explica Cláudio Diaz.

Tramitação
O projeto tem caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário. e ainda será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Jus Brasil (30/04/2010)

Lutar sempre, desistir nunca.



Aposentadoria especial


Caso seja aprovado sem alterações no Senado, o Projeto de Lei Complementar segue para sanção presidencial

324 parlamentares da Câmara dos Deputados aprovaram, no dia 05 de maio, o Projeto de Lei Complementar 277/05, que permite às pessoas com deficiência se aposentarem com menos tempo de contribuição à Previdência Social. A proposta, que levou cinco anos para ser aprovada na Câmara, é de autoria do ex-deputado Leonardo Mattos. Agora, o texto aprovado é uma emenda do deputado Ribamar Alves (PSB-MA), relator do projeto pela Comissão de Seguridade Social e Família.

O texto aprovado na Câmara estabelece o tempo de contribuição de 30 anos para homens e de 25 anos para as mulheres. O projeto considera ainda a gravidade da deficiência. No caso de deficiência moderada, os homens poderão se aposentar com 27 anos de contribuição e as mulheres com 22 anos. São três a menos que a regra atual. Se a deficiência for grave, a redução será de cinco anos: 25 anos para o homem e 20 anos para a mulher.

Para contarem com o benefício previsto, os segurados terão de comprovar que possuíam a deficiência durante todo o período de contribuição. Quem adquirir a deficiência após a filiação ao regime geral da Previdência, os tempos serão proporcionais ao número de anos em que o trabalhador exerceu atividade com deficiência.

A aposentadoria especial também alcança homens deficientes a partir dos 60 anos de idade e mulheres a partir dos 55 anos, porém estabelece que estes tenham cumprido no mínimo 15 anos de contribuição, comprovada a existência de deficiência neste período.

Segundo o deputado, Ribamar Alves um regulamento especificará o grau de limitação física, mental, auditiva, intelectual ou sensorial, visual ou múltipla que levará à classificação do segurado como pessoa com deficiência. O regulamento também definirá em que grau (leve, moderada ou grave) cada deficiência será enquadrada.

O texto aprovado já especifica, entretanto, que para efeitos do projeto a deficiência deverá restringir a capacidade de exercer diariamente um trabalho.

Em todos os casos de aposentadoria especial, o grau de deficiência será atestado por perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a cada cinco anos.
No caso de agravamento da doença, o segurado poderá pedir uma perícia em tempo inferior a cinco anos. Isso possibilitaria a mudança de enquadramento de deficiência moderada para grave, por exemplo.

O fator importante é que a renda mensal das pessoas com deficiência aposentadas por tempo de contribuição será de 100% do salário de benefício. Na regra geral, o aposentado recebe 70%, podendo atingir o total se trabalhar mais cinco anos. No caso da aposentadoria por idade, o provento a receber será de, no mínimo, 70%, mais 1% a cada doze meses de contribuição. Esse método deve-se ao fato de que a contribuição mínima exigida da pessoa com deficiência é de 15 anos na aposentadoria por idade. Portanto, o segurado que houver contribuído mais receberá mais.

O projeto segue agora para o Senado. E caso seja aprovado sem alterações, segue para sanção presidencial. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF)
(foto acima) disse que vai buscar apoio de líderes partidários para agilizar a tramitação do Projeto. Buarque recebeu na semana passada a visita do líder do PSB na Câmara, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), para tratar do assunto.

Presentes à reunião, o presidente do PSB-DF, Marcos Dantas, o presidente do ICEP Brasil ( Instituto Cultural Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência), de Brasília, Sueid Miranda, e Antônio Leitão, Presidente do Instituto Nova Visão, sensibilizaram o parlamentar sobre a importância de mudar a legislação para conceder benefício aos deficientes. Eles querem evitar que o PLP seja encaminhado para as comissões de Direitos Humanos e de Assuntos Sociais do Senado, adiando ainda mais a tramitação da proposta, que já levou tanto tempo para ser aprovada na Câmara.

Fonte:
http://sentidos.uol.com.br/
Referência:
http://www.inclusive.org.br/


CAE aprova isenção de IPI para deficiente auditivo comprar carro .


A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (4) projeto que estende às pessoas com deficiência auditiva a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de carros para utilização no transporte autônomo de passageiros. A isenção já beneficia pessoas com deficiência física, visual ou mental, além de autistas.

O autor do projeto (PLS 14/08), senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), argumenta que
a exclusão dos deficientes auditivos do benefício fiscal é discriminatória e que constitui dever do poder público amparar as pessoas que enfrentam dificuldades em competir, em igualdade de condições, com os demais cidadãos na vida econômica e social.

O relator, senador Gerson Camata (PMDB-ES), observou que aceitar a exclusão dos deficientes auditivos da isenção fiscal significaria concordar que o sentido da audição não tem nenhuma importância para o desenvolvimento da pessoa e sua integração na vida econômica e social.

Aprovado terminativamente pela CAE, o projeto deve seguir diretamente para a análise da Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para sua votação no Plenário do Senado.

Fonte:
https://secure.jurid.com.br/

E se fossa o contrário ???


Quando nos colocamos no lugar do outro, nesse caso seria de uma pessoa com deficiência, fica mais fácil de entender suas dificuldades e aceitar as diferenças.
(Vera - Deficiente Ciente)



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Destaque


Feira internacional traz novidades para deficientes físicos

Invenções tecnológicas facilita vida de portadores de necessidades especiais.





quarta-feira, 12 de maio de 2010

vejam só !!!





" Vocês conhecem algum lugar assim ??? "



terça-feira, 11 de maio de 2010

Adaptações em vias públicas melhoram a vida de pessoas com deficiência



Imagine enfrentar obstáculos durante a realização de ações do dia-a-dia, como tomar banho, ler ou sair de casa para trabalhar, e aprender a lidar com a vida de uma forma diferente e mais difícil. Essa é a realidade das pessoas portadoras de necessidades especiais. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 15% da população (aproximadamente 25 milhões de pessoas) afirmam ter algum tipo de deficiência. As mais comuns são deficiência visual, auditiva e motriz.

Possuir uma deficiência significa lidar com desafios físicos e psicológicos constantes. Além do preconceito vivenciado em seu cotidiano, essas pessoas se deparam com inúmeras falhas estruturais urbanas que dificultam e, muitas vezes, impedem o pleno exercício de sua cidadania e convívio social. Uma simples caminhada se torna uma aventura que requer muita atenção, mas, acima de tudo, condições adequadas de acessibilidade aos que precisam de recursos especiais.

O professor Ronaldo Carvalho, 43, convive com as restrições causadas pela deficiência visual e, conseqüentemente, com os perigos que enfrenta na cidade. "Os sinais sonoros e as faixas cidadãs são indicadores muito importantes para a pessoa com deficiência visual", afirma. Em Belém, existem seis sinais sonoros, que indicam, pela emissão de sons, o melhor momento para o deficiente visual cruzar uma rua. Entre os locais que já possuem esse recurso estão os cruzamentos da Avenida Almirante Barroso com a Avenida Júlio César, e das avenidas Presidente Vargas, Nazaré e Assis de Vasconcelos.

As calçadas padronizadas (ou faixas cidadãs) possuem uma função ainda mais importante, pois auxiliam a locomoção não apenas dos deficientes visuais, através da faixa-guia com superfície rugosa, mas também dos cadeirantes, por meio de rampas de acesso. Atualmente, elas estão presentes em vias de grande movimento, como as avenidas José Malcher, Duque de Caxias, Almirante Barroso e Magalhães Barata.

Essas modificações estruturais vêm sendo implantadas desde 2005 pela Companhia de Transportes de Belém (CTBel) e pelas Secretarias Municipais de Saneamento (Sesan) e de Urbanismo (Seurb), com o objetivo de atender ao Código de Postura do Município e às normas de acessibilidade a pessoas com deficiência. Porém, esses cidadãos ainda enfrentam dificuldades devido à apropriação desses espaços por outras pessoas. "O caminho marcado pela faixa, muitas vezes, é obstruído por bancas de revistas e ambulantes, que nos impedem de exercer nosso direito de andar por onde é seguro", protesta Carvalho.

A dificuldade de locomoção em vias públicas também é uma questão que o mecânico Valdir Moura ressalta. Através da Associação dos Deficientes Físicos do Pará, da qual é presidente, ele busca apoio aos direitos das pessoas com deficiência junto ao poder público. Moura, que é cadeirante desde que sofreu um acidente automobilístico há 24 anos, participou de vitórias como a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motoristas com deficiência física e a conquista da acessibilidade a órgãos públicos. Com quase nove anos de atuação na presidência, ele afirma que a luta das associações é fundamental, mas, nem sempre recebe a devida atenção em meio a outras preocupações sociais. "Torço para que os projetos atuais das faixas cidadãs e do transporte coletivo adaptado sejam ampliados e que mais pessoas com deficiência possam usufruir de serviços públicos e de seus direitos", conclui.

Fonte.portal da Prefeitura Municipal de Belém


Tecnologia é grande aliada dos deficientes físicos e visuais



Conheça aparelhos que ajudam na independência dos deficientes.

Conversa é para jogar fora. Tempo, não. Por isso, mesmo sentado, é preciso sair do lugar. Há quatro anos, depois de cair de mau jeito em uma cama elástica, o representante comercial Flávio Luiz Domingues ficou tetraplégico. A voz quase sumiu. Só mexe o rosto. Os braços, um pouco. Com uma cadeira de rodas motorizada, isso é mais do que suficiente.

“Dá para curtir família, passear, fazer tudo. Não como antes, mas dá”, compara o representante comercial Flávio Luiz Domingues.

Dá até para exagerar como antes.

“Ela foi me buscar na padaria, não queria voltar”, lembra o representante comercial Flávio Luiz Domingues.

“Não queria voltar, 22h, 23h e ele na padaria. A independência dele melhorou bastante, está mais alegrinho até”, diz a dona de casa Paula Domingues.

Também é só com o rosto que Flávio comanda o computador. A câmera capta os movimentos do nariz como se fossem os do mouse.

“Não aceito até hoje o que aconteceu comigo, mas com essas adaptações, cadeira motorizada, computador, eu comecei a ver que a vida mudou. Estou em outra condição, mas está tudo continuando, vamos embora”, avalia Flávio Luiz Domingues.

Só que não é todo mundo que se adapta às novas tecnologias. O empresário João Pacheco encontrou outro jeito de usar o computador sem as mãos: “Com o nariz. Eu sempre tive um problema de enfiar o nariz no lugar errado e desprogramar todo o meu computador”.

Tetraplégico há 11 anos, o veterinário tem na internet a vitrine do seu negócio. Pela rede, ele vende equipamentos para pessoas com deficiências.

“Tem que ter a tecnologia de ponta, lógico, tem que ter os produtos mais atuais, mais modernos.

Tem que ter aquele pneuzinho barato, aquela cadeira de roda popular. Não podemos esquecer que nos países em desenvolvimento, a deficiência está atrelada à pobreza”, comenta empresário João Pacheco.

Para servir a uma pessoa com deficiência, a tecnologia tem que se adaptar a ela, não o contrário. Limitações diferentes demandam projetos diferentes. É nisso que engenheiros trabalham.

A empresa faz adaptações em carros. Os comandos vão sendo aperfeiçoados e cada vez mais gente passa a ter a chance de dirigir.

“O Brasil está iniciando em algumas novas tecnologias, principalmente para essas lesões de comprometimento mais severo. Mas já existem equipamentos que permitem que pessoas com
um maior grau de comprometimento iniciar esse processo de condução de um veiculo”, aponta o gerente de novos negócios Renato Baccarelli.

O que existe de mais atual está em um carro. “O carro foi desenvolvido para pessoas que têm deficiências nos quatro membros, aquelas que perderam a função da pinça, não têm função dos dedos, não têm como pegar no volante. Para isso nós desenvolvemos uma empunhadura específica, onde ela encaixa o punho e mesmo sem a pinça, ou seja, a força dos dedos, ela consegue girar. Para acelerar, a pessoa vai abaixar uma alavanca de aceleração do veículo. Para

frear é na mesma alavanca”, mostra o diretor técnico Carlos Cavenaghi.

O banco tem um equipamento importado que ajuda o motorista a entrar e a sair.

“Aperta o botão, o banco vai girar para fora e vai ficar mais próximo da cadeira. Da cadeira de rodas, vai se transferir para o banco, vai se ajeitar no banco e vai apertar o outro botão. O próprio banco vai colocá-lo dentro do veículo”, completa o diretor técnico Carlos Cavenaghi.

O preço de todo este conjunto é R$ 23 mil. A estudante Kássia Karolina Silva experimentou: “É toda liberdade que a gente precisa. O deficiente físico é muito limitado para ir de um lugar ao outro e os caminhos são sempre muito limitados. A possibilidade de dirigir e autoguiar é muito importante”.

O próximo projeto já está sendo desenvolvido, e vai depender menos ainda de esforço físico.
“Os controles vão ser ativados por voz e vão ter, por exemplo, comandos para setas, buzinas,
limpadores, esguichos. Simplesmente falar uma palavra que a gente vai programar com a voz da própria pessoa”, diz a estudante de engenharia Daniela Diodato.

A voz também é a chave para contornar a deficiência visual. Mas a voz da máquina. Um scanner lê o livro, literalmente.

“Sem um equipamento desses, sem uma ajuda técnica como essa, não tem como ter essa informação, não tem como ler aquele livro”, aponta o construtor de projetos de acessibilidade Naziberto Lopes.

Naziberto, que não enxerga há quase 15 anos, diz que o scanner nem seria necessário se os livros fossem lançados também em CD, em versão digital. Mas a lei que obriga as editoras a fazerem isso ainda depende de regulamentação.

“O livro em formato digital pode ser impresso em braile, pode ser ampliado na tela para uma pessoa que tem baixa visão. O livro acessível é aquele que amplia as possibilidades para as pessoas que até hoje estavam excluídas da leitura”, conclui o construtor de projetos de acessibilidade Naziberto Lopes.

Fonte. g1.globo.com/bom-dia-brasil


Vagas de estacionamento para deficientes


No Brasil, o desrespeito em relação a vagas de estacionamento para deficientes é comum. Pessoas sem qualquer dificuldade de locomoção, por mero conforto e imbuídas de incrível egoísmo, como se fossem o "último biscoito do pacote", transgridem esta regra básica.

Neste cenário, cada vez mais frequente em razão do excesso de veículos, os deficientes com dificuldades de locomoção ficam impossibilitados de chegar a seus destinos, já que não lhes restam alternativas de estacionamento. Além disto, não há medidas legais eficazes que possam adotar em tais circunstâncias, de modo que o infrator seja punido e se coíba o abuso.

Agora, o problema pode estar próximo do fim: o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) publicou a Resolução 304, que regulamenta a reserva das vagas para deficientes. De acordo com esta Resolução, quem violar as regras estará sujeito a multa por infração leve (atualmente, R$ 53,20), além da remoção do veículo por guincho e de três pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

A princípio, os agentes de trânsito só podem multar nas vias públicas. Entretanto, em entrevista concedida à Folha, Alfredo Peres da Silva, presidente do CONTRAN, afirmou que as autoridades de trânsito poderão multar em áreas particulares, como shoppings e supermercados, desde que seja firmado um convênio para tanto.

A Resolução 304 nada diz sobre convênios para que as autoridades atuem em áreas privadas, mas se isto de fato ocorrer será excelente, pois a prática de abusos é bastante comum nesses locais.

Mas as boas notícias não param por aí. Vejamos:

1. A credencial dos veículos que transportam os deficientes foi padronizada e passa a ter validade em todo o território nacional;

2. As vagas especiais podem ser utilizadas pelos deficientes tanto se estiverem na condição de motorista, como na de passageiro; e

3. A autorização de estacionamento será suspensa ou cassada, com recolhimento da credencial, em caso de utilização sem que o veículo esteja transportando deficientes, empréstimo da credencial a terceiros, uso de cópias ou outras irregularidades.
A Resolução 304 entrou em vigor no dia 22 de dezembro de 2008, data de sua publicação, mas os órgãos de trânsito tem 360 dias para adaptarem as áreas de estacionamento.

Na mesma data, foi publicada também a Resolução 303, com regras similares, porém endereçadas ao estacionamento de idosos.

Agora, é conosco. Temos que cobrar tanto das autoridades, quanto dos particulares o cumprimento da norma e, também, a celebração de convênios.


Fonte: http://www.franxicobomba.blogspot.com